Meu nome é Nilson Alves de Moraes - para muitos Nilson Moraes - sou sociólogo e professor na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Na verdade, eu me sinto um professor.

Muito mais importante: sou pai de Julia Nolasco L. Moraes, um pai explicita e intensamente coruja (de carteirinha e tudo). Do meu ponto de vista, existe uma marca de transição no mundo, o nascimento de Julia. A Julia é a mais linda, sensível, produtiva, séria e competente museóloga que eu conheço. A Julia é a mais perfeita e exuberante criatura que já conheci ou que pensei que pudesse existir. Não resisto, a Julia é o meu encantamento. Alguns reclamam e me acusam de só pensar e falar nela, mas o que eu posso fazer??!! Ela, aos 22 anos, fornece o sentido para a minha vida. As outras mulheres poderosas da minha vida são a Ana, que me atura há mais de vinte anos, e Dona Nilza (a famosa mamãe).

Na Universidade, ofereço cursos na graduação (Enfermagem e Nutrição), no Instituto Biomédico, e cursos na pós-graduação, no Mestrado de Enfermagem. Sou/estou "coordenador" do GTCOM - Grupo de Trabalho em Comunicação e Saúde - da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO). Um detalhe ou registro importante sobre Curso de Pós-Graduação: no momento, considerando o grupo que controla e a "orientação excludente e de favorecimento de grupos" que estão implementando no Mestrado em Memória Social e Documento, estou -suavemente- me retirando daquele espaço. Confesso que nem sei dizer se ainda me sinto parte daquele grupo e daquele projeto. Gosto e respeito apenas alguns professores e, principalmente, os alunos.

Na Universidade trabalho com algumas pessoas muito interessantes, outras - arghhh!!! - nem tanto. Nos Programas de Pós-Graduação, constato a existência de um processo de substituição da competência e da criatividade pelo poder e aliança burocrática e de carreiristas transformando a Universidade num campo de lutas. Ao contrário deste ambiente hostil e infértil, no GTCOM (Grupo de Trabalho de Comunicação e Saúde) da ABRASCO vivo aprendendo, me divertindo e me entusiasmando com pessoas extremamente competentes, produtivas, agradáveis e afetivas (isto demonstra que ainda pode existir vida e respeito em ambientes acadêmicos). Além disso, vivo a paixão intelectual e afetiva pela América Latina e pelas charges (tenho um belo banco de dados). Adoro o mundo das publicações e revistas científicas.

Trabalho, por mais de duas décadas, como "sociólogo da saúde", mas estou buscando uma mudança no meu trabalho/modo de vida. Atualmente desenvolvo estudos sobre "Mídia, Saúde e Memória". Nos cursos de Mestrado em que atuo possuo alguns "orientandos", meus -incautos - orientandos, que vivem por aí perdidos, mas eles são sempre muito legais, esperançosos e comprovam a - tal - capacidade de sobrevivência do "ser humano".

Segundo um levantamento na CAPES, já tenho mais de vinte orientandos que concluíram seus cursos de pós-graduação e mais de vinte e cinco trabalhos (incluindo livros) publicados. Tenho viajado muito a trabalho (Congressos, Seminários, Fóruns,...) e concluí um pós-doutoramento no CESLA (Centro de Estudos Latino Americanos), da Universidade de Varsóvia, Polônia. Nos últimos anos, os meus críticos, que são muitos, dizem que eu me transformei num "bourdiano". Eu considero que esta influência é grande em minhas reflexões, mas acho que Canclini, Gramsci e Madel Luz, por exemplo, são ou influenciam meus trabalhos e reflexões. Por outro lado, é bom que fique claro, que a minha formação é marxista, e que eu não nego as muitas influências marxistas em minhas reflexões atuais. Eu, cada vez mais, considero o Gramsci uma ótima referência para compreender o mundo contemporâneo.

Nasci e moro no Rio de Janeiro, um Rio de Janeiro muito e tristemente diferente daquele em que fui jovem e provocador. Carrego no meu sofrido, operado, remendado, espaçoso e esperançoso coração um lindo escudo do Fluminense Futebol Clube. O Fluminense é uma questão de opção identidária e apaixonada. Derrotado - muitas vezes - politica-ideologicamente, em crise com algumas esquerdas e formas de estar no mundo, estou um pouco "afastado" das utopias e da militância, mas não estou alienado, fiz uma opção estratégica. Sem saber direito o que é a tal crise da modernidade, depois de tantas mudanças nas duas últimas décadas, afirmo que sou de esquerda. A democracia e o socialismo são duas utopias necessárias e permanentes.

Para manter o "clima" de entusiasmo herdado da modernidade e seus ideais de progresso e justiça social, operei meu coração e carregava um marcapasso que além de atrapalhar a minha vida nas entradas e saídas dos aeroportos e bancos, por vezes costumava "vazar" e dar uns choques nos amigos mais desavisados. No momento, estou vivendo com a segunda maquininha, que evita estas coisas (dizem que ela é pós-moderna, conversa com instrumentos).

Adoro cinema, música, teatro e, principalmente, um bom botequim. Botequim, em geral, quer dizer a certeza de um bom papo acompanhado de uma cerveja (ou até mesmo coca-cola). Meus gostos são fáceis de serem explicados: nasci em Olaria, comprei muito pão conversando com Pixinguinha e com o pessoal do Cacique de Ramos; fiz - no final dos anos sessenta - teatro de resistência em igrejas e movimentos sociais. Sinto falta - e não se trata só de melancolia ou "coisa de velho"- das tardes dos domingo quando eu e o Flávio Fernandes (um amigo que desistiu de ser o mais brilhante intelectual de minha geração e que - vaidosamente - é o pai da Mayana e da Mayara) saíamos da zona norte do Rio de Janeiro em busca do novo que, em nosso caso, estava no MAM e em Buñuel, Fellini, Godard, Glauber, Almodovar, Kubrick, Pasolini, Bertollucci, Win Wenders, Saura,... Eu adoro música e artes plásticas. Eu me pergunto se existe alguma possibilidade de não amar Gerchmann, Pape, Aquino, Sued, Pimentel, Áquila, Caldas, Vergara, Clark, Oiticica, Dacosta, Dias,....

Sobrevivendo, sabe Deus como!!!, nos anos 70, na resistência ao regime militar e, nos anos 80 e 90, na organização da luta pela democracia, considero que estamos ainda na resistência. Adoro História, sou um privilegiado, fui aluno de Manuel Maurício de Albuquerque, Adilson Monteiro, Aquino, Iber Reis, Gisálio Cerqueira Filho, Lélia de Almeida Gonzales e Chico Alencar.

Moro no Flamengo e tenho por hábito, quando sobra algum tempinho ou minha cabeça permite, caminhar pelo Aterro. Adoro ficar sentado, no canto direito do sofá, em minha sala, vendo o Cristo Redentor e dando uma lidinha nos meus jornais, e no meu escritório, onde posso ver alguns barquinhos e um pedaço bonito da Baia da Guanabara. O mar, na parte da tarde, fica absolutamente azulzinho.

Meus amigos me enchem de alegria e orgulho. Alguns estão presentes na forma de textos nesta página. Nos links você vai encontrar alguns nomes e endereços destas pessoas e instituições especiais.

Gosto muito e/ou preciso de sala de aula e de escrever. Gente como Madel Luz, Florestan Fernandes, Otavio Ianni, Paulo-Edgard Resende, Fiori, Beth Moreira, Vitor Valla, Lena Vania Pinheiro, Regina Martelleto, Lúcia Bógus, Alexandre Magno de Carvalho, Ricardo Augusto, Carlos Roberto de Oliveira, Ana Maria Tambellini, Terez(s)a Scheiner, José Mauro Loureiro, Yara Nogueira, Cláudio Bertolli, Teresa Toríbio, Inesita Araújo, Milton José Pinto, Fernando Lefrève, Victor Valla, Eduardo Stotz, Aluízio Alves Filho, Ana Paula Goulart, Ana Paula Brandão, Gisálio Cerqueira, Áurea Pitta, Luiz Pedro Jutuca, Mônica Valle, Giane Moliaro, Cecília Minayo, ... foram e são algumas peças fundamentais da minha existência. São pessoas competentes e, principalmente, afetuosas e compromissadas com as coisas do mundo.

Em se tratando de vida institucional, não sou uma pessoa tranqüila. Ao contrário, eu vivo em guerra com carreiristas e oportunistas de todos os gêneros e modelos. Eu odeio os oportunistas que se cercam de uma leitura mal-feita de Foucault e se empenham em implementar pela via da CAPES, ou por um discurso autoritário e "cegueta", uma degola e uma política de exclusão à criatividade no mundo acadêmico. Burocrata é burocrata, e dependente dos poderes, precisam dos poderes. Eu vivi, e vivo, descontente e em guerra com todos os poderes e formas de poder.

Em geral, fora do mundo institucional, e longe do Rafael (que pensa que é namorado da Julia), sou um sujeito calmo e amigável, daquele tipo que gosta de receber os amigos (embora não tenha saco de ficar mais de 3 horas com ninguém!). Aprendi com a Teresa Toríbio e com o Carlos Roberto de Oliveira a gostar de viajar, o que atrapalha é a minha pobreza.

Todos os sábados e domingos me transformo em cozinheiro, me torno o rei (bem bagunceiro) da cozinha. São, com certeza, os únicos dias que têm comida em minha casa.